Conhecendo a moeda social Fora do Eixo Card
Um dos desafios encarados por artistas, produtores, gestores e/ou outros profissionais da cultura no Brasil e no mundo é promover e articular diferentes formas de recursos capazes de gerar sustentabilidade a empreendimentos sociais que atuam na cadeia produtiva da cultura. Entendemos cultura no sentido atropológico, onde é possível a criação de experiências entre diversas áreas sociais, valorizando a diversidade humana. No mercado médio dos micro-hits, é necessário otimizar recursos e ser criativo no uso de novos métodos que possibilitem a autogestão dos atores e empreendimentos envolvidos no processo. Entendendo isso, o Fora do Eixo em seus dez anos de atuação, vem apostando no desenvolvimento de laboratórios de sistematização de tecnologias sociais que tornem possível o uso de diferentes, porém, complementares, modos de financiamento.
Visando praticar um laboratório contínuo de trocas mútuas, exercendo uma “Lei da reciprocidade”, considerando capitais tangíveis e intangíveis, com foco na sustentabilidade e desenvolvimento humano, criamos uma tecnologia de moeda social capaz de interagir com a moeda corrente e principiar um equilíbrio nas relações econômicas e sociais. A partir de critérios simples como o cumprimento do acordo entre as partes envolvidas, a valoração e sistematização do trabalho que não é remunerado e das trocas diretas realizadas, a moeda social cria um lastro pautado no trabalho (serviços, produtos e saberes), na confiança e no estímulo.
O Fora do Eixo Card é um selo que representa as diversas moedas sociais da rede, geridas de maneira autônoma e pautadas pelo mesmo princípio. A idéia é complementar a economia vigente com alternativas de geração e manutenção de recursos, sejam eles tangíveis ou intangíveis, possibilitando a criação de um esquema híbrido que facilite na sustentação de pequenos empreendimentos e empreendedores sociais. Essa lógica permite que mais ações sejam viabilizadas, pois incentiva o investimento de vários em atividades comuns, estimulados pelo retorno em conhecimento, formação, vivência, realização pessoal, entre outras necessidades e desejos que não se condicionam exclusivamente ao dinheiro. Numa economia onde o dinheiro é cada vez mais escasso pra maioria, a moeda social tende a trazer mais a perspectiva de abundância e autonomia.
Dentro do Fora do Eixo convencionou-se que 1 FdeCard é igual a R$ 1 real (ou outra moeda corrente) objetivando garantir o máximo possível de paridade entre os valores das trocas, sempre em busca do equilíbrio das relações, minimizando a qualificação maior de um trabalho em detrimento de outro. Outra convenção é que dentro da rede, 1 hora de trabalho é Igual à 50,00 FdECard, buscando valorizar o trabalho empenhado e garantir um preço médio popular. Porém, isso varia de acordo com o que for estabelecido entre as partes. O que menos importa é o preço, mas garantir a equanimicidade e facilidade entre as partes para que as trocas sejam garantidas. Na lógica do FdE Card, qualquer um que estiver disposto a disponibilizar o seu trabalho para as trocas e cumprir os acordos, também pode ter sua própria moeda e se integrar a rede.
As moedas podem ser físicas e/ou virtuais. O maior volume de transações contabilizadas na rede do FdE card, não passam pelas moedas físicas. Para garantir a sistematização e organização do processo, foram criados um formulário de cadastro, um cardápio com itens disponíveis para negociações e planilhas que contabilizam as transações efetivadas como o Compacto.TEC e o Extratocard. Através da página do facebook ou pelo Portal Transparência, é possível ter acesso a todo o mecanismo, interagir e participar. Para contactar os colaboradores e organizadores da empreitada, acesse o e-mail [email protected].

Os desafios da sustentabilidade no campo da cultura
Promover e articular diferentes formas de captação de recursos capazes de gerar sustentabilidade a empreendimentos econômicos que atuam no campo da cultura é um dos desafios encarados por artistas, produtores, gestores e/ou outros profissionais da cultura em todo o Brasil e no mundo. No mercado médio dos micro-hits e da Cauda Longa* é necessário otimizar recursos e ser criativo no uso de novos métodos que possibilitem a autogestão dos atores envolvidos nessa cadeia. Entendendo isso, o Fora do Eixo em seus (quase) dez anos de atuação vem apostando no desenvolvimento de laboratórios sistematizadores de tecnologias sociais que tornem possíveis o uso de diferentes, porém, complementares métodos de captação que tornem possíveis a autogestão dos atores envolvidos nessa cadeia. No campo da escassez de recursos tangíveis, somente a abundância de recursos intangíveis, possibilita transformar dificuldades em potencialidades, subdesenvolvimento em desenvolvimento sustentável, em seus diversos aspectos: monetário, ambiental, simbólico cultural e sócio-político.
Características dos mercados de micro-hits

Representação de autoria de Chris Anderson no livro “A Cauda Longa” (Campus/Elsevier)
Esquema marcado pelo levantamento de pequenas alíneas
Refletindo sobre o uso das moedas sociais no cotidiano
Moedas sociais sempre foram visualizadas no Fora do Eixo como tecnologias que auxiliam nos processos de fluidez coletivas, colaborativas, facilitadoras da autogestão de atores ligados a essa cadeia em todo o Brasil. O uso dessa tecnologia, somado às articulações de outras fontes de recursos em moeda corrente, ajudam a equilibrar os custos em Reais e valorizam o trabalho humano em processos econômicos comumente marcados por interesses individuais e práticas competitivas, em detrimento de valores de colaboração e compartilhamento.
Entendendo que as questões sensíveis relacionados a essas práticas colaborativas são paradigmas do século XXI, e compreendendo que esses valores para serem transformados em cultura de grupo devem ser práticas que permeiam o cotidiano, o desafio do Fora do Eixo Card está posto: trabalhar elos entre parceiros em potencial e fortalecer afinidades e processos de trocas constantes.
“Em todo o Brasil, existem atualmente centenas de moedas sociais. Elas não substituem o real – a ideia é que funcionem de modo complementar à moeda nacional, mas desenvolvendo as economias locais”.
“A moeda social cria e resgata a identidade da comunidade, valorizando a produção local e gerando desenvolvimento, em todos os sentidos do termo, em determinada comunidade”
Como participar da rede da moeda FdECard

Todos os participantes da rede colaborativa podem trocar serviços, produtos e saberes entre si
Passo a Passo
1. Preenchimento do formulário de cadastro: Agente individual ou Grupo (coletivos, associações, empresas e etc). No formulário contém o regulamento da moeda. Se facilitar, organize primeiro os serviços, produtos e saberes numa tabela como neste modelo e posteriormente preencha o formulário!

2. Após o cadastro, os serviços, produtos e saberes cadastrados serão disponibilizados em um cardápio online unificado da rede.

3. Os valores dos serviços, produtos e saberes são definidos por cada integrante, levando em consideração a negociação entre ambas as partes. As trocas podem ser efetivadas na relação de 1 pra 1 (por ex, trocar um carro por um ar condicionado zerando a equação independente do valor de cada item); na relação de horas (por ex, quantificar o total de horas de um serviço pela mesma quantidade do outro) e na relação comum do real (por ex, valorar um item num preço maior que outro, sobrando crédito). Buscamos priorizar a equanimicidade das relações, tronando-as mais justas possíveis. Portanto, o valor da hora de um pedreiro deve ser igual a de um médico, independente da “profissão”. Os coletivos da comunidade fora do eixo padronizaram o valor da sua hora em R$ 50 FdECards. Porém, com agentes externos ao fora do eixo, esse valor depende da negociação e grau de reciprocidade estabelecida entre os agentes.
4. A moeda FdE Card pode ser inserida por meio da moeda física e/ou online. Em ambos os casos a sistematização das transações entre as duas partes deverá ser contabilizada através do extratocard.

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